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“Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos corações sábios”. Salmo 90.12

Quero fazer um depoimento para comemorar meus quarenta anos, escrevo porque sei que as pessoas se vão, mas seus escritos permanecem e ecoam na eternidade. Precisava dar um título para essa crônica, depois de alguma meditação resolvi chamar de: “AINDA ESTOU AQUI”.

Nasci no dia 10 de setembro de 1968, às 06h30min da manha na maternidade do hospital de caridade da cidade de Alegrete, no interior do Rio Grande do Sul.

Eu fui o primeiro filho de Waldomiro Muruzzi Jaques e Maria Gislaine Ferreira Jaques. Meu pai descendente de italianos e minha mãe, falecida em 05 de maio de 1995, descendente de africanos. Ambos naturais de Alegrete. Casaram jovens e viveram juntos por quase 30 anos.

A primeira lembrança da minha infância foi da pequena casa em um bairro chamado Vera Cruz, lugar simples, ainda pouco habitado na época, mas promissor por sua localização e a facilidade de crescimento. Perto de minha casa tinha uma escola chamada Farroupilha, isso ajudou na decisão de meus pais morarem ali, pois facilitaria para os estudos dos 3 filhos. Ali estudei durante 8 anos e muitos amigos marcaram profundamente minha vida.

Minha família era normal, meu pai era construtor e minha mãe tomava conta da casa. Era ela que direcionava a nossa rotina, acordar cedo, cada um tinha sua tarefa em casa, almoço ao meio dia, café da tarde às 16 horas, janta às 20 horas. Era tudo seguido criteriosamente e minha mãe verificava se todos haviam feito com excelência as suas tarefas (arrumar a cama, lustrar a casa, varrer o pátio, etc). Aprendi muito com isso. Agradeço ao Senhor pela família que tive, pelos cuidados nos limites para crescer educado, suprido e bem orientado.

Como poderia esquecer o primeiro carro da família, um DKW antigo, lindo! Impecável! Bancos de couro, volante branco, era uma relíquia. Todo o domingo à tarde, saíamos para passear, normalmente era para o interior do município. Assim aprendi admirar a criação de Deus. Divertia-me observando os animais, a criações de ovelhas, branquinhas! Lindas! Lembranças, que marcaram profundamente a vida. Quantas vezes, aos finais de semana, passávamos à beira do rio, toda a família e mais os amigos. Minha mãe preparava aquela galinha frita, mergulhava em um pote com farinha de mandioca. Era uma festa!

Hoje só restou a saudade, tudo isso teve muita importância em minha vida, mas tudo ficou no passado. O que restou foi vasculhar o Orkut na esperança de alguns amigos tenham aderido ao mundo informatizado para ver se podemos matar um pouquinho a saudade.

Mas vou vivendo... juntando os anos, meses , dias, horas, minutos e os segundos à grande estante de memórias... Quanto mais velho fico, mais fico relembrando dos bons momentos, das aventuras e dos momentos de emoção.

Aprendi que a vida é feita de pequenos momentos gravados em nossa memória. Precisamos deles para acreditar que a nossa vida teve um certo valor e ainda o terá. Precisamos acreditar e até confirmar que realmente existimos e a nossa memória deve existir para isso.

A memória me fez aprender ou pelo menos relembrar das pisadas de bola, aquelas que NÃO gostaria de lembrar, somente gostaria de esquecer, mas a memória também está ai para isso... Para nos lembrar e sempre relembrar que NÃO devemos mais fazer.

São momentos gostosos e emocionantes que sempre procuro colecionar. O resto está lá também, mas NÃO fico relembrando de todos os momentos ruins. A vida tem que ser gostosa de viver e para que vou ficar lembrando de fatos ruins?

Cada coisa que vem à lembrança me faz sentir mais forte e bem vivido. Cada boa memória me dá a certeza que tudo foi válido e que vale continuar firme e forte para o desconhecido futuro. Pode ser um sorriso, o soprar do vento, o cheiro do papel do livro ou mesmo o som da chuva caindo. São elas que me fazem ser o que sou, por isso NÃO posso viver ou até querer viver sem elas.

Hoje minhas atitudes precisam refletir o amor de Cristo que está sobre mim, as atitudes do hoje, são resultado do que vivemos e concluímos a cada momento. Todas as conclusões são acrescentadas no grande banco de dados de nossas ações futuras, onde procuraremos de forma consciente ou não para continuar vivendo.

Tenho memórias e a todo o momento estou relembrando. Não que eu queira, penso que deve ser a minha capacidade de observar os detalhes e com isso fazer comparações. Basta ouvir um som, um cheiro e pronto, já tenho muitas memórias vinculadas. Afinal, são 40 anos!

Para finalizar a avalanche de memórias, me lembro da emoção do dia do nosso casamento. Foi na Igreja Batista Central em Porto Alegre. Cris e eu temos sido felizes ao lado um do outro desde 20 de outubro de 2001,data do nosso casamento. Temos dois filhos lindos, o Filipe com 3 anos e meio e a Sarah com 1 ano e meio. Pergunto-me todo o dia se Deus me dará a honra e o prazer de ver meus filhos crescerem.

Minha esposa tem sido o meu porto seguro, mulher de Deus, forjada para ser bênção, e não há um dia sequer que eu não louve a Deus por ele me permitir dividir a vida com alguém tão especial. Minha esposa me faz viver intensamente os meus dias, e junto com meus filhos faz cada minuto valer a pena.

O tempo passou, MAS AINDA ESTOU AQUI. Pronto para mais 40, seria bom que esses viessem sem muitas perdas, pois elas sempre trazem sofrimento. Acho que aprendi a lidar com isso pela necessidade.

Agradeço a Deus por cada minuto, os cuidados do Senhor me fizeram ser o que sou hoje. Sinto que, em nenhum momento Ele me desamparou e nem desistiu de mim, sempre me deu uma nova oportunidade. Começo agora uma nova fase, já passei por muitas, mas em nenhuma delas fiquei tão reflexivo.

Meu desejo é que a idade me ajude a crescer sempre, quero nunca deixar de ser alguém ensinável. Mas para que isso aconteça preciso da ação de Deus todo o dia, me ajudando a aniquilar o eu para que o Espírito permaneça em evidência.

Comentários

  1. Oi Mauro,
    Vc é um exemplo de superação e perseverança. Seu testemunho de vida é encorajador e inspirador. Que as bençãos do Eterno te acompanhem no segundo tempo da vida.
    Abraços
    Pr. Cabral

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